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KEEP AUSTIN WEIRD!

Chegamos em Austin para participar do SXSW 2019 e fomos conferir o que a cidade tem de tão estranho.


Em 1836, o Texas foi anexado aos EUA após a luta entre mexicanos e norte americanos pelo Forte de Alamo, em San Antonio, episódio que inspirou John Wayne a protagonizar e dirigir o filme The Alamo (1960), vencedor de um Oscar. Em 2019, 183 anos depois do Cerco ao Alamo, o Texas consolida em Austin uma nova transformação em sua história, mas desta vez sem tiros ou disputa por território. A cidade abre suas portas aos forasteiros, louca para interagir e dividir experiências com o resto do mundo. Uma história que começou a ganhar corpo há mais de 30 anos, precisamente em 1986 e inspira milhões de pessoas ao redor do mundo. 

South by Southeast.

Quando Roland Swenson, funcionário do jornal The Austin Chronicle, recebeu um convite de Nova York para criar uma extensão do festival New Music Seminar em Austin, percebeu que o interesse novaiorquino pela cidade não poderia ser à toa. Embora não estivesse no foco das atenções, Austin tinha um potencial criativo latente. Roland enxergou a oportunidade e decidiu trabalhar na ideia de promover um festival musical independente em Austin. Nascia South by Southeast, o SXSW, assim batizado em referência ao clássico North by Northwest (1959), de Alfred Hitchcock, um thriller de tirar o fôlego que estabeleceu novos parâmetros para a criação e produção dos filmes de ação - nada mais apropriado como inspiração de batismo para o SXSW.

No ano seguinte, o SXSW teve sua primeira edição e foi muito além das expectativas. Dos 150 participantes da região que eram esperados, apareceram mais de 700 pessoas de todos os cantos dos EUA. Além disso, o surpreendente engajamento dos Austinites (habitantes de Austin) para fazer evento dar certo, mostrou não só que o potencial criativo local era uma realidade, como o interesse em conectar Austin ao resto do país e do mundo era um desejo de sua população. Já na sua segunda edição, o festival contou com atrações de todo o país e um público crescente, ávido por novidades. O SXSW começava a chamar a atenção e se estabelecer como um dos eventos mais promissores da potência norte-americana.

Mas foi em 1994 que tudo realmente mudou. Além do lançamento da banda Hanson, que saiu dos palcos do SXSW diretamente para as paradas de sucesso, uma antológica apresentação de Johnny Cash elevou o SXSW a um outro patamar, transformando-o num dos cinco maiores festivais de música do mundo. Também foi neste ano que o SXSW passou a ter dois subeventos, voltados para multimedia e cinema. 

De lá pra cá, o festival se dividiu em quatro vertentes, relacionadas à música (SXSW Music), ao cinema (SXSW Film), à tecnologia (SXSW Interactive, que era o SXSW multimedia) e ao standby comedy (SXSW comedy). O SXSW se tornava o mais importante evento de inovação, tecnologia e economia criativa do mundo, além da sua já consagrada fama musical. Ao longo de mais de três décadas, o SXSW recebeu convidados do calibre de Willie Nelson, Jimmy Wales (criador da Wikipedia), Craig Newmark (criador do Craiglist), Mark Zuckerberg (Facebook), Elon Musk (criador do Tesla e Paypal), Bruce Springsteen, Dave Grohl, Barack e Michele Obama (quando ainda eram Presidente e Primeira Dama dos EUA), Snoop Dogg, Edward Snowden (ex-agente da CIA) e Julian Assange (criador do Wikileaks) que, foragidos, palestraram via Skype para auditórios lotados e cercados pelo FBI. Além do já citado Hanson, o SXSW também foi palco do lançamento The White Stripes, The Strokes, além do Twitter, Foursquare . Para um evento criado para incentivar os talentos musicais da região, convenhamos que o SXSW foi muito além do que qualquer um poderia imaginar.

Porém, para seus frequentadores mais antigos, a crescente participação de nomes consagrados da música, tecnologia e cinema vem ofuscando a presença dos novos e inovadores talentos – uma contradição com as próprias origens do festival.

Keep Austin Weird.

Em 2000, quando o SXSW apresentava artistas até então desconhecidos como John Mayer e Franz Ferdinand, um bibliotecário de Austin, Red Wassenich, ligou para a rádio em que ouvia todos os sábados o programa The Lounge Show, famoso na cidade por tocar músicas "fora do comum", e fez uma doação à emissora. Quando o locutor perguntou por que estava apoiando o programa, Red simplesmente disse: “Não sei. Acho que é para manter Austin estranha” . Não demorou para a expressão "Keep Austin Weird" se tornar uma espécie de lema para os Austinites, que nunca esconderam seu apoio aos produtos da região e ao comécio local. Além disso, eles fazem questão de  preservar sua cultura, fortemente influenciada pelos mexicanos, e cativarem costumes bastante peculiares. Mas vale ressaltar: nada disso os fazem fechar as portas para o que acontece além de suas fronteiras. Estranho? Nem tanto. 

Fundada em 1835, às margens do Rio Colorado, Austin é um dos principais pólos tecnológicos e universitários dos EUA. Capital do Texas com quase 2 milhões de habitantes, a cidade compreendeu a importância do SXSW desde sua primeira edição e abraçou o festival como uma de suas tradições. Longe de ser uma cidade texana que vive no imaginário do faroeste, Austin possui uma arquitetura que ora nos leva aos duelos ao pôr do sol, com construções do século XIX, ora nos coloca em um moderno centro urbano do século XXI com edifícios de alta tecnologia. A busca pela inovação e a preservação de suas raízes está, assim como na atitude da população, em cada esquina da cidade. É dificil imaginar um lugar melhor para o SXSW nascer e se estabelecer.

O comércio não fica atrás. Da lembrança dos filmes de cowboy que nos invade a mente ao vermos a Heritage Boot Co., uma das lojas de botas mais tradicionais do Texas e dos EUA, à contemporaneidade da Amy Ice Creams e seus deliciosos sorvetes, a diversificação e a saudável mistura entre o tradicional e o moderno é uma espécie de patrimônio da cidade. A cada ano, Austin ganha ares cosmopolita, diversificado e inovador, tomando ares nos moldes de cidades como Nova York.

After Hours e Meetings.

Em nossa primeiro passeio pelas ruas de Austin, Melina Alves lembrou que, quando esteve na cidade há 5 anos para o SXSW 2014, as opções no cardápio não iam muito além do bacon, ovos e carne. Hoje, sem precisar bater muita perna, encontramos restaurantes vegetarianos, veganos, farta oferta de frutas e até um tostex para dar aquela enganadinha na fome. Mais uma vez, a diversificação salta aos olhos e, em sua  variedade gastronômica, Austin reflete também preocupação em se integrar ao mundo e valorizar a sustentabilidade e  um estilo de vida saudável.

Mas nenhuma dessas características da cidade seria possível sem os Austinites. Calorosos, amáveis e solícitos, são anfitriões que não se limitam ao inglês e espanhol, tentando se comunicar num terceiro idioma para melhor entenderm seus visitantes. Eis outra "estranheza" de Austin: enquanto nos EUA, fala-se no máximo dois idiomas (inglês e espanhol), aqui há um esforço para ir além. Seria bom se encontrássemos mais "estranhos" anfitriões como os Austinites pelo mundo.

Mas não é só em função de receber visitas que eles vivem. 

Dançar, por exemplo, é algo que eles fazem sem se importar com mais nada, chacoalhando os ossos com uma paixão contagiante e inspiradora no ritmo das bandas de rua ou nas aulas de dança ao ritmo local como na casa tradicional do melhor estilo texano Broken Spoke. Não podemos deixar de destacar a variedade de bares e casas de espetáculo, que encontramos no The Continental Club o maior representante da música ao vivo, aberto desde 1955.

Afinal, de música o texano entende:  o Texas é o berço do Blues e importante polo da música Folk e Indie. Em Austin, ouvimos isso em alto e bom som em cada esquina da cidade, mais colorida pelo SXSW, e nos shows da Waterloo Records, que desafia o tempo, unindo os saudosos LP´s à era tecnológica.

Destaque também para os cinemas e teatros tradicionais, que são fontes de sonhos e inspiração da indústria dos filmes independentes, como o Alamo Drafthouse Ritz que colore, ainda mais, a famosa e histórica Sixth Street.

Para terminar a visão geral dessa cidade tão legal, que foi palco dessa temporada de partilha e muito conhecimento, nada como brindar à saudável energia de um lugar tão receptivo e aberto à inovação. Austin  possui uma incrível variedade de cervejas artesanais e ótimos bares para bebê-las. E, obviamente, o que não falta são as cervejas texanas. Aliás, se durante o SXSW 2019 você não conseguir tomar a mesma cerveja  ao longo do festival, não estranhe. O evento oferece diariamente marcas diferentes, para que possamos molhar a palavra com um sabor renovado enquanto interagimos com as pessoas, criando novas amizades e parcerias, numa livre e motivadora troca de ideias.

Be weird!

 

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