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DUXcoworkers | Artigos

Museus e cidades inteligentes

A arte abre portas para todos.


 

“À semelhança de qualquer amor, o amor pela arte sente repugnância em reconhecer suas origens e, relativamente às condições e condicionamentos comuns, prefere, feitas as contas, os acasos singulares que se deixam sempre interpretar como predestinação.”

Pierre Bourdieu, O amor pela arte

 

Um dos mais importantes pensadores do século XX, o sociólogo da École des hautes études en sciences socialesPierre Bourdieu (1930-2002), estudou os mecanismos de reprodução de desigualdades e de dominação na sociedade em diversas áreas de estudo, mas principalmente na educação. 

Com esse foco, juntou-se ao matemático Alain Darbel em 1969 para fazer uma pesquisa e entender quem eram os frequentadores dos museus de arte europeus.

Através de questionários, entrevistas, grandíssima bibliografia e análise estatística, fez um estudo do usuário e traçou personas para compreender como se forma o gosto culto. Esse estudo chegou à conclusão de que gosto se discute e que nasce das condições sociais, educacionais e do quanto o indivíduo está exposto aos estímulos da arte.

Crianças que são expostas à produção artística somente ncomo as que frequentam espaços culturais e artísticos com suas famílias. Nem sempre a pedagogia consegue quebrar as barreiras para se criar uma necessidade cultural.

O gosto inato é, portanto, um mito.

 

O hábito de gostar

Nas conclusões, o autor brinca sobre a necessidade de tamanho esforço para chegar a uma conclusão tão óbvia.O estudo foi um dos maiores realizados sobre os museus europeus e revolucionou as instituições, permitindo que elas deixassem de ser um espaço exclusivo aos "entendidos".

Abrindo suas portas para um público que não se limitava ao que tem o domínio do código e das linguagens quepermitem o apreço das obras, esses se tornarem um ambiente de aprendizado, que ensinam e fornecem informações que estimulam o desenvolvimento das competências para apropriação das obras de arte. Para tanto, introduziu-se nos museus os programas e ações educativas, visitas guiadas, textos explicativos sobre as obras.

 

E as cidades inteligentes?

Na DUXcoworkers entendemos que cidades inteligentes são complexos urbanos essencialmente colaborativos, nos quais a tecnologia é utilizada em prol dessa colaboração.

Para tanto, a integração de sistemas aumentam a eficiência dos serviços prestados à comunidade,  facilitando a gestão participativa e a própria comunicação social. 

Assim, os museus são componentes imprescindíveis como instituições que têm a missão de garantir acesso, preservação e difusão de arte, cultura, ciência e história.

Desde a pesquisa de Bourdieu e Darbel, os museus deixaram de ser essas coleções do exótico, do arcaico e exclusivos para se tornarem espaços democráticos de acesso à diversidade e culturas.

E também usam de tecnologias para imersão, experimentação e estímulos dos sentidos, permitindo experiências ricas. 

 

Museu de grandes novidades

Instituições como o Museu da Imagem e do Som que tem como missão preservar e produzir a imagem e o som e ser um espaço de fomento da linguagem audiovisual e da arte nas suas diferentes formas e técnicas, tanto no aspecto da produção, quanto no da exibição.

Com esse objetivo, faz exposições imersivas como a David Bowie, Cidade (in)acessível e Castelo Ra-tim-bum; o Museu da Lìngua Portuguesa promove a diversidade da língua portuguesa, celebra-a como elemento fundamental e fundador da cultura e aproxima-a dos falantes do idioma em todo o mundo.

Por ter como tema um patrimônio imaterial, o Museu fez uso da tecnologia e de suportes interativos para construir e apresentar seu acervo. O público era convidado para uma viagem sensorial e subjetiva pela língua, que incluía filmes, audição de leituras e diversos módulos interativos. apresentava o nosso idioma como uma manifestação cultural viva, rica, diversa e em constante construção.

O Museu Catavento aproxima crianças e jovens do mundo científico, despertando curiosidade e transmitindo conhecimentos e valores sociais com exposições interativas.

O Memorial da Resistência uma instituição dedicada à preservação de referências das memórias da resistência e da repressão políticas do Brasil republicano. Ele  é Membro Institucional da Coalizão Internacional de Sítios de Consciência, uma rede mundial que agrega instituições constituídas em lugares históricos, dedicadas à preservação das memórias da luta pela justiça e à reflexão do seu legado na atualidade.

Para tanto, lançam mão de de pesquisa, documentação e conservação, exposição e ação educativo-cultural, orientados para os enfoques temáticos sobre resistência, controle e repressão política. Assim, promovem ações que contribuam para o exercício da cidadania, o aprimoramento da democracia e a valorização de uma cultura em direitos humanos.

Uma cidade inteligente não se faz apenas com tecnologias para aumento de eficiência. Ela também permite que o espaço físico e o virtual se conectem, cria as condições e ambientes para o desenvolvimento das capacidade humanas, permitindo fluidez entre seus espaços, troca de informações e conhecimentos que fomentam a inovação.

Essa diversidade deve ser o alicerce para a familiarização e formação da cultura multidisciplinar que por sua vez, cria condições quantitativas e qualitativas para a consolidação da inteligência coletiva, gerando um ambiente favorável à educação.

Os museus das cidades inteligentes vão além de suas paredes e se espalham por toda a experiência do visitante no território e fora dele. Pretendem uma geografia intangível e se associam a elementos tangíveis do patrimônio que podem ser ativados, acessados experimentados e compartilhados por dispositivos tecnológicos, pessoal ou remotamente, com experiências educadoras, de entretenimento e inclusivas para engajamento e apropriação da herança histórica, artística e cultural.

Para saber mais: 

Real, M. P. C. (2016). BOURDIEU, P.; DARBEL, A. O amor pela arte: os museus de arte na Europa e seu público. Trad. Guilherme João de Freitas Teixeira. São Paulo: Zouk, 2003. Revista Polyphonía, 27(2), 283-288. Recuperado de https://www.revistas.ufg.br/sv/article/view/44730 

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