Novas economias e tecnologias

A última década do século passado foi transformadora. Embora não raras vezes a ela seja dedicada o rodapé da história, os anos 1990 representam uma ampla e percepção humana que podemos analisar sob diversos pontos de vista.

Pense num campo de atuação humana, qualquer um, e terá nos anos 1990 algum momento de mudança: do futebol à música, da comunicação à corrida espacial, tudo começou a ser reescrito – ou ao menos, revisto.

Não há como determinar (ou ao menos não é nossa pretensão) um evento que tenha causado todos os demais, mas para efeito deste artigo vamos utilizar um fato que seguramente está entre os mais relevantes: a compreensão de que os recursos do planeta são finitos. 

Mas as nossas necessidades não.

 

Sustentabilidade

Rio Eco 92 foi uma conferência mundial da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o meio ambiente que aconteceu 20 anos depois da de Estocolmo, a primeira realizada pela da entidade para tratar do meio ambiente. Protocolos foram assinados, promessas feitas e muita coisa acabou acontecendo de lá pra cá. O saldo, no frigir dos ovos, é bom, principalmente se levarmos em conta que praticamente nada era feito em prol do planeta até então. Mas ainda é pouco.

Hoje ainda enfrentamos grandes dificuldades para cumprir os 17 objetivos firmados globalmente para transformar o mundo na agenda da ONU de 2030. Sem falar na gestão tímida dos governos para atacar, de forma efetiva, os problemas já identificados que impactam negativamente o retrocesso das mudanças climáticas nocivas.

Mas o que seria, enfim, sustentabilidade sob a óptica de cidades inteligentes?

Muito se fala sobre a sustentabilidade conectada ao meio ambiente e biodiversidade. Mas sustentabilidade, termo que se vincula de forma íntima com as “cidade inteligentes” e as novas economias, toca diversos pontos integrados entre si além do contexto ambiental:  toca além do aproveitamento eficente e racional dos recursos naturais (hídricos, alimentícios, energéticos) às pautas de mobilidade urbana, de melhoria das condições de uso e ocupação do solo, qualidade de vida, saúde e economia para a perenidade de negócios.

De qualquer forma, a pauta de sustentabilidade é vital para o desenvolvimento e sucesso de novas economias e fruto das mudanças dos padrões de consumo tracionada também pela tecnologia.

Tecnologia

Foi ainda na década de 90 que a internet começou a se popularizar e iniciou transformação completa nas comunicações, costumes, consumo e tudo mais. A internet mudou tudo ao nosso redor, absolutamente tudo. Chegamos ao ponto de nos esquecermos de que tecnologia também diz respeito a avanços que estão além do digital.

Esse desbunde promovido pela world wide web pode ser traiçoeiro. A tecnologia, em si mesma, não é o nosso objetivo principal de evolução mas apenas uma ferramenta que proporciona otimização de tempo e dados. Entretanto, ainda vivemos sob o efeito colateral do “deslumbramento digital”, seja pela perda de foco, desperdício de tempo, prejuízo na análise crconfusão feita pelos desenvolvedores de sistemas e cidades. A tecnologia vista como um fim em nada pode nos ajudar.

E como o dinheiro, quando ela é colocada como o objetivo de qualquer projeto, mais nos leva pra trás do que nos oferece um passo adiante.

Novas Economias

Não vamos correr para o lugar comum e jogar a culpa no sistema econômico capitalista.

Porém, a partir da década de 90 do Século XX, as coisas começaram a mudar porque a partir da ocupação não planejada de áreas urbanas e do crescimento populacional irregular passamos a perceber que as coisas haviam piorado nas cidades.

A urbanização tupiniquim e horizontal, rápida e desprovida de planejamento, que já provocava engarrafamentos, insegurança, desemprego, desconforto e aglomerados urbanos, nos obrigada a repensar sobre a forma de uso e ocupação do solo e aproveitamento dos recursos naturais: qual o futuro do planeta? qual o legado que queremos deixar para as próximas gerações?

Essas são perguntas latentes que ganham holofotes em tempos de pandemia, remetem à revisão necessária do conceito das cidades, das normas e políticas de ocupação territorial e das práticas socioambientais.

Quando juntamos tudo isso à tecnologia, e presenciamos, a cada dia, o surgimento de novas formas de pensar, o desenvolvimento econômico colaborativo se torna cada vez mais forte e real.

Economia, por definição técnica da Faculdade de Administração e Economia da Universidade de São Paulo, é o ramo da ciência que estuda “o comportamento racional do homem econômico, ou seja, da busca da alocação eficiente dos recursos escassos entre inúmeros fins alternativos”. A economia, como indica a universidade, é o estudo da eficiência e equidade.

Eficiência: fazer as coisas de forma correta, sem erros, ou com o menor número deles. Equidade: proporcionar justiça para o caso concreto. Um conceito jurídico-filosófico que no campo das cidades remete ao uso comum e igual por todos.

Trazendo esses conceitos para o que gostaríamos de destacar, os novos padrões de consumo geram novas formas de enxergar a economia, seja sobre os aspectos da produção (o quê, quanto, para quem e como produzir) ou sob o olhar da aceitação desses produtos e serviços pelo público. 

As novas economias – economias compartilhadas, colaborativas, criativas e circulares – vieram para ficar e surgem como uma resposta da população e dos usuários à era pós-revolução industrial, promovendo também cidades mais colaborativas, com valores intangíveis e compartilhados.

Todas essas economias tem o mesmo ponto de contato: estão pautadas no consumo eficiente e essencial. No consumo de retorno dos bens utilizados ao ciclo econômico. E na cocriação das cidades, envolvendo a população no planejamento das cidades.

Usar passa a ser mais importante do que ter e compartilhar é fundamental: novas economias surgem transformando a forma de desenvolvimento das cidades – carros, apartamentos, bicicletas compartilhados. Por reflexo ou consequência o comportamento humano também muda pelo retorno da confiança.

Repensar a produção de alimentos em telhados e fazendas urbanas: incentivar políticas públicas de agronomia nas cidades é vital para compor a matriz energética da produção de comida, além de fonte importante para a realocação de pessoas, geração de emprego e renda, aumentando o índice de desenvolvimento humano local.

Salvar o planeta depende de nós mesmos, porque influenciamos diretamente as formas de produção.

o despertar das pessoas para as economias compartilhadas, colaborativas, criativas e circulares é mais que uma esperança.

É um caminho concreto e viável.

Para saber mais

O episódio “Novas Economias e suas Tecnologias” só pode ser realizado graças às participações especialíssimas de Myriam Tschiptschin e Poliana Alves

 

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