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Principais temas do Interaction Latin America 2018

Principais temas do Interaction Latin America 2018


Design Thinking, Inovação, Design de Serviços, Design Estratégico e Liderança Criativa são os assuntos do momento. Cada vez mais o designer avança de um papel ligado à "superfície" do produto para um papel de liderança e estratégia, além de facilitador e coach de processos criativos envolvendo diversos atores.

A interseção entre as áreas de design e negócios foi um dos principais temas do Interaction Latin America 2018, encontro que reuniu 1.800 pessoas de toda a América Latina no Rio de Janeiro. Abordando os temas de design de serviços, designer como coach, UX Strategy, Design Operations e negócios com design, Veronica Zammitto, Marc Stickdorn, Katja Forbes, Jaime Levy, Dave Malouf e José Coronado pontuaram quais processos, princípios e culturas internas podem ajudar, permitindo que a cultura de design seja efetivamente incorporada na empresa e potencializada.

José Coronado, diretor da Digital Impulsum, citou dados do recente relatório "The business value of design" (McKinsey) e apresentou alguns exemplos reais, observados no mercado, de estratégias de design que geraram altos resultados financeiros. Foi o caso de uma equipe que conseguiu detectar frequentes erros e demoras no serviço de atendimento ao cliente; logo, propôs um processo e um roteiro de atendimento que diminuiu o tempo médio das ligações pela metade. Isso significou uma economia anual de 2,9 milhões de dólares à empresa.

Tom Kelley, sócio da IDEO e um dos "pais" do Design Thinking, sustentou que, ao sentir-se confiante em relação à própria criatividade, qualquer pessoa pode desenvolver qualidades e sensibilidades típicas dos designers; a exemplo de detectar problemas e oportunidades à sua volta, fazer pequenos experimentos, aprender com os próprios erros e criar uma "fotografia do futuro" com a sua ideia materializada nela.

 

Global x local

Pablo Fernández Vallejo, do Laboratorio de Gobierno Argentino, afirmou que "As narrativas não podem ser importadas, precisamos criar narrativas próprias". Alok B. Nandi, presidente da Interaction Design Association (IxDA), também defendeu que “temos que parar de seguir modelos externos”, referindo-se ao Vale do Silício. Deu exemplos de inovação na América Latina, como o sucesso de startups como PagSeguro, 99, Nubank, iFood e Despegar; e mencionou que grandes empresas de tecnologia dos EUA estão começando a se atentar para questões específicas de culturas e mercados locais.

A afirmação de Nandi foi bem ilustrada por Laura Garcia Barrio, líder de UX para a América Latina na Uber; ela contou como surgiu o app Uber Lite baseado nas peculiaridades do mercado indiano e como a pesquisa na América Latina contribuiu neste processo.

 

Formação dos profissionais da área

Paralelo ao evento principal, o Interaction Design Education Summit ocorreu na ESPM Rio, com o intuito de debater o cenário do ensino da área e seus desafios – constantes mudanças tecnológicas e de mercado, multidisciplinaridade e implicações éticas da profissão. Educação também foi um assunto abordado nas palestras de Magalí Amalla, professora na UNLP, e Felipe Memória, designer e sócio da Work&Co., que fez um pequeno histórico do ensino de design e homenageou seus pioneiros.

Jaime Levy, consultora, professora e autora do best-seller “UX Strategy”, pontuou que, além de acompanhar as constantes mudanças de denominação, o profissional da área deve estar sempre estudando e se adaptando às novidades tecnológicas e metodológicas. Marc Stickdorn, CEO da More Than Metrics e co-autor do livro “This is Service Design Thinking”, também falou sobre os múltiplos nomes na área: "Chame como quiser, mas faça".

 

Responsabilidade

Tema recorrente nos palcos e conversas, a responsabilidade dos designers e a ética foram abordados sob diversas perspectivas. Rama Gheerano questionou se estamos alimentando as Inteligências Artificiais com nossos preconceitos. André Torales, da Insitum, apresentou um dilema: como conciliar a liberdade de expressão com as manifestações de ódio nas redes sociais? E demonstrou como a Inteligência Artificial pode ajudar a identificar discursos de ódio e facilitar o processo de moderação.

Mahin Samadani, líder de design de experiência na McKinsey, defendeu o conceito de Inteligência Artificial Aumentada, que é a união dos algoritmos, completos e eficientes, para apresentar dados e opções com a inteligência humana, boa para avaliar e decidir – uma soma em vez de subtração e medo. E explicou como as habilidades dos designers são essenciais para essa mudança.

Kim Goodwin, autora de “Designing for the Digital Age” e consultora de design e liderança, se aprofundou nos dilemas éticos das empresas digitais. Ela propõe que seja estabelecido um novo Código de Nuremberg (conjunto de princípios éticos que regem a pesquisa com seres humanos desde 1947) para regular as pesquisas e a coleta e uso de dados no meio digital. “Produtos e serviços digitais conduzem o maior experimento com seres humanos já realizado na Terra, e, quase sempre, sem autorização.” Ela defendeu uma abordagem mais responsável em relação aos clientes, e que as métricas de produto sejam guiadas por objetivos dos usuários e guiadas por valores da empresa.


Setor público, design social e inclusão

Tom Kelley, pela IDEO, e Rama Gheerawo, pelo The Helen Hamlyn Centre for Design, apresentaram projetos de design social para escolas e saúde pública. Outras palestras demonstraram como diversos serviços públicos latinoamericanos estão, aos poucos, incorporando práticas e cultura de design para melhorar e se aproximar dos cidadãos. Todos enfatizaram que este tipo de projeto não pode ser criado somente por um designer, deve sempre ser co-criado, em parceria com especialistas, legisladores, cidadãos, e outros atores relevantes.

A acessibilidade digital e o design inclusivo foram abordados em diversas palestras, demonstrando que está crescendo a consciência de que é importante atender todos os públicos, inclusive idosos, pessoas com deficiência e crianças. O destaque foi para a apresentação de Izabela de Fátima e Juliana Salgado, do iFood, que demonstraram como a equipe se aproximou e pesquisou o assunto e, em pouco tempo, criou uma cultura de acessibilidade na empresa. O tema da equidade de gênero e das dificuldades enfrentadas pelas mulheres foi pouco citado, mas veio à tona no discurso do coletivo chileno Más Mujeres en UX.

(Manuela Roitman é designer e pesquisadora)

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