Tendências para 2022, legados para o futuro

Tendências para 2022, legados para o futuro


Estamos vivendo tempos de enorme aprendizado, reorganizando-nos diante da maior pandemia que já vivemos como civilização, em vários espectros que nos ditam a vida, nos reorgan: pessoalmente, socialmente, profissionalmente, economicamente, politicamente. Não bastassem esses desafios, e as soluções e perspectivas que criamos para alguns deles, há muitos outros que vamos precisar resolver, para que não deixemos alguns — ou todos — esses espectros adoecerem.

Somos uma sociedade ansiosa, uma sociedade doente, para a qual a velocidade e a concentração de recursos se transformaram em valores inegociáveis e excludentes. Precisamos, logo, tomar a decisão: se queremos adoecer ainda mais ou se queremos encontrar caminhos novos, mais inclusivos, menos obsessivos.

É impossível que consigamos listar neste único artigo todos os desafios que se apresentam em nosso horizonte. Pinçamos aqui alguns deles, entre tendências e constatações, que podem nos indicar caminhos possíveis e nos levar a refletir sobre alguns pontos que estão no nosso futuro, mas bem que poderiam já habitar o nosso presente, tamanha a necessidade que temos de implementá-los.

 

 

B2B mais colaborativo — O pensamento e criação colaborativa já é uma realidade em empreendimentos pequenos, médios e, até, em algumas empresas grandes que produzem bens e serviços para o consumidor final [B2C]. As organizações que produzem bens e serviços para outras empresas [B2B], por sua vez, ainda precisam buscar se alinhar a uma cultura mais colaborativa. 

Trazer pessoas, fornecedores e experiências diversas, que sejam capazes de confrontar e desafiar certezas; praticar a escuta como processo corporativo e produtivo; mover as pessoas para o centro das tomadas de decisão e para a melhoria das relações e dos produtos. Você já percebeu que estamos falando aqui de UX também. O que falta ainda é que boa parte do segmento B2B perceba que a aplicação da experiência do usuário não se dá apenas no nível dos negócios entre empresas e pessoas, mas sim entre empresas e empresas. Afinal, são pessoas que também tomam decisões.

 

 

A era da curadoria — Passamos, não incólumes, pela era do FOMO [Fear of Missing Out], o temor de ficar desatualizados ou por fora de qualquer assunto que virasse tendência, especialmente nesse território de conteúdos tão esquecíveis quanto ligeiros que são as mídias sociais.

Muitos de nós saturaram-se do volume incessante de informações. E eis que entramos em uma nova era de consumo de conteúdo: a era da curadoria. Temos feito movimentos de autocuradoria, selecionando aquilo que diz respeito a nossos interesses, nossos prazeres e nossos humores, em prol de nossa saúde mental. Esse movimento de dentro para fora está sendo percebido até mesmo como negócio.

Nos últimos 15, 20 anos, a internet baixou o valor venal dos conteúdos a zero ou a quase zero, e nos acostumamos a isso. Essa “facilidade” trouxe numerosos dilemas, entre eles o da remuneração justa da cadeia produtiva. Agora, são muitos os serviços que, em troca de uma assinatura mensal ou pontual, oferecem conteúdos curados por uma equipe especializada ou até mesmo por convidados ilustres e/ou especializados. São clubes de assinaturas de livros, de vinhos, de itens de decoração e mesmo de conteúdo distribuído pela internet — a mesma plataforma que iniciou a degradação de preços e de necessidades duas décadas atrás.

 

 

Derrubem os drones — O momento é urgente e incontornável; vivemos a maior crise climática de nossa história e o despertar pela pluralidade de quem somos como sociedade, não de apenas um gênero, de apenas uma etnia, de uma cor, de uma crença, de uma tradição, de uma cultura.

Assim, é inviável que qualquer parte do grande organismo social, econômico e político que formamos assista a tudo de cima, como se um drone sobrevoasse todas essas urgências de forma contemplativa e distante. E há uma dessas partes que, de modo geral, tem assumido esse comportamento afastado.

É preciso que desliguem, ou melhor, que derrubem os drones. É preciso que todo o mundo corporativo, sem exceção, viva os desafios desta e das futuras gerações de fato, que injete na própria carne o compromisso de ser parte da solução, precisamente porque muitas das empresas foram e ainda são parte do problema. É preciso que o envolvimento com os critérios do ESG [Ambiental + Social + Governança] não se limite a um alinhamento ao que muitos entendem apenas como tendência e à exposição superficial em mídias sociais. Esqueçam as tendências, derrubem os drones, colaborem para resolver os problemas.

 

Potencial da floresta e da criatividade — E com o alinhamento autêntico a práticas e todo o processo de estruturar-se conforme o ESG, é importante entender também as oportunidades que o Brasil, que deve estar posicionado como uma das lideranças ambientais em todo o globo, tem perdido.

O ESG está nos chamando, nos convidando para a inovação de impacto positivo. E o crédito de carbono vem atrelado a isso, ao trazer uma alternativa para que empresas consigam compensar suas emissões. A demanda mundial é gigantesca e existem facilidades como o fato de o crédito não pertencer a nenhuma nação em particular. E o Brasil tem o quê? Uma oferta também gigantesca, com florestas, biomas com capacidade de corresponder à procura global de empresas e investidores interessados não só em créditos de carbono mas em iniciativas de inovação de impacto positivo e criativo. 

O Brasil está na onda da tendência, mas é fundamental que se supere um déficit cultural, um déficit público, que dificulta o zelo, o olhar estratégico e a possibilidade de soluções pensadas de forma colaborativa de todos os atores fundamentais para esse processo. Há uma crise de governança pública e política, para a qual o empresariado brasileiro não está se manifestando, e sua participação é obrigatória. Todos pertencemos a este lugar. E todos precisamos cuidar deste lugar.

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